O Brasil tem 120 mil leitos de montanha e a maioria dos investidores ainda não percebeu
- alissis9
- 7 de jun.
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Quando o Ministério do Turismo compilou os dados do CADASTUR para os destinos de montanha do Brasil, o resultado surpreendeu até quem já acompanhava o setor. São cinco grandes clusters turísticos com mais de 1.770 estabelecimentos de hospedagem, 120 mil leitos e uma infraestrutura de serviços que rivaliza com destinos litorâneos consolidados.
O dado mais revelador, porém, não é o tamanho atual do mercado. É a trajetória.
Um mercado que cresceu na contramão
Entre 2015 e 2024, os cinco clusters de montanha abriram centenas de novos estabelecimentos hoteleiros. A Serra Catarinense apresentou o crescimento mais acelerado do período, quadruplicando o número de novas aberturas entre 2015 e 2021. O pico veio justamente na pandemia: com as praias fechadas, as famílias brasileiras redescobriram as altitudes.
Campos do Jordão registrou seu pico histórico em 2020, com 25 novos estabelecimentos em um único ano. Gramado havia registrado 42 aberturas em 2019, recorde absoluto entre todos os clusters.
Os cinco clusters em números
Serra Gaúcha: O maior cluster em capacidade absoluta. Gramado sozinha concentra 36.455 leitos. São 465 estabelecimentos, 1.087 agências de turismo, 395 transportadoras e 25 parques temáticos. Diária média dos hotéis: R$ 155, a mais alta entre os cinco clusters.
Região de Petrópolis: Destaque pela infraestrutura de serviços. Com 689 guias de turismo cadastrados e 443 agências, tem a maior densidade de profissionais qualificados do setor. Os quatro Hotéis Históricos conferem identidade patrimonial única no cenário nacional.
Campos do Jordão: O destino mais intimista. Com 53% das hospedagens sendo pousadas e 49 unidades de Cama e Café, mantém identidade romântica e personalizada que resiste às tendências de padronização.
Serra Catarinense: O destino emergente. Com 272 estabelecimentos e 8.216 leitos, apresentou o maior percentual de leitos acessíveis (15,1%), acima da média nacional. Capacidade ainda subutilizada e potencial de crescimento expressivo.
Vale Europeu: O cluster dos eventos. Com 374 organizadoras de eventos e 23 parques aquáticos, tem na Oktoberfest e na identidade alemã seu ativo diferencial. São 148 restaurantes de culinária alemã em Blumenau e Pomerode.
O que os dados dizem sobre o futuro
A série histórica 2015-2024 revela dinâmicas distintas. Serra Gaúcha e Vale Europeu estão em fase de maturidade. Campos do Jordão e Petrópolis mantêm crescimento constante e identidade consolidada.
A Serra Catarinense é o caso mais interessante. Com crescimento acelerado entre 2017 e 2023 e capacidade instalada ainda abaixo dos demais clusters, o destino apresenta o perfil típico de mercado em expansão, com janela de oportunidade para estruturação de ativos antes que o mercado se consolide.
Por que isso importa para gestores e investidores
Os dados do CADASTUR são mais do que um inventário turístico. São um mapa de oportunidades. A Serra Catarinense tem oferta concentrada em pousadas (73% do total) e praticamente nenhum resort, enquanto a Serra Gaúcha já tem sete resorts com média de 832 leitos cada.
Para governos, esses dados informam políticas de desenvolvimento territorial e estruturação de concessões de parques com vocação para ecoturismo. Para investidores privados, revelam onde o mercado ainda tem espaço e onde a janela de entrada já se estreitou.
O turismo de montanha no Brasil cresceu sem muito planejamento. Os próximos ciclos de crescimento, mais sustentáveis e rentáveis, vão exigir estruturação. Cada lugar carrega uma semente. A diferença entre um destino que floresce e um que estagnou está em como essa semente é cultivada.
Fonte: CADASTUR, Ministério do Turismo. 13 segmentos turísticos analisados. Destinos de Montanha do Brasil, 2025.



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